terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pássaro do Norte




      Pássaro do Norte







Era uma vez um pássaro


De penas incandescentes,


Que à noite se tornava estátua


E pousava em jardins diferentes.


Mas durante o dia,


O vento a soluçar pedia,


Ao pássaro que sorria,


Que voasse rumo à lua


Para que fosse tanto tua, como minha.


Óh voz que voltarei a ouvir,


Olhos que voltarei a ver,


São do pássaro que ao fugir


Deixou o sol que acabou de nascer.


Tal pássaro acreditava,


Nas mãos que o vento tinha,


E não era qualquer tristeza que o deixava,


Só à espera do que vinha.


O pássaro tinha um ninho


Mas de lá teve que sair,


Foi forçado a outro caminho,


Que optou por seguir.


Ele seguiu, mas foi em frente,


Com saudades do ninho quente,


Aquecido pelas suas gentes,


As do pássaro de penas incandescentes.


Agora a lua que também é tua,


Que é quase a nossa rua,


De jardins diferentes.

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