Pássaro do Norte

Era uma vez um pássaro
De penas incandescentes,
Que à noite se tornava estátua
E pousava em jardins diferentes.
Mas durante o dia,
O vento a soluçar pedia,
Ao pássaro que sorria,
Que voasse rumo à lua
Para que fosse tanto tua, como minha.
Óh voz que voltarei a ouvir,
Olhos que voltarei a ver,
São do pássaro que ao fugir
Deixou o sol que acabou de nascer.
Tal pássaro acreditava,
Nas mãos que o vento tinha,
E não era qualquer tristeza que o deixava,
Só à espera do que vinha.
O pássaro tinha um ninho
Mas de lá teve que sair,
Foi forçado a outro caminho,
Que optou por seguir.
Ele seguiu, mas foi em frente,
Com saudades do ninho quente,
Aquecido pelas suas gentes,
As do pássaro de penas incandescentes.
Agora a lua que também é tua,
Que é quase a nossa rua,
De jardins diferentes.
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