Hoje, parei para reflectir no que é, afinal, o Natal. Parei para pensar por que é que afinal a maior parte de nós espera intensamente por esta época.
Lembro-me de contar os dias que faltavam, quase todas as semanas. Fazia-o com um sorriso tão grande, com uma magia enorme, que cobria quase toda a minha casa. Lembro-me e ainda consigo sentir o quanto feliz era quando acreditava na nostalgia do Natal, quando escrevia a carta com aquela quantidade absurda de prendas, que no fundo sabia que não poderia receber, mas ficava feliz na mesma, só a imaginar como seria este dia para todas as outras pessoas e a pensar no que elas iriam pedir. Era criança, rodeada de inocência e não imaginava o mundo frio e mentiroso que havia lá fora, não imaginava a crueldade, a falsidade e a hipocrisia que existia. E por isso sorria e desejava sempre mais e mais prendas, mais um carinho, mais um elogio de tudo que tinha feito naquele ano…
Agora imaginei, no breve instante em que fazia este pequeno gesto de sorrir, havia alguém, muito perto de mim, ao contrário do que muitas vezes penso, a deixar cair do seu pequeno rosto uma lágrima por não ter nada para comer naquele dia. Havia alguém, a chorar desconsoladamente por estar sozinho, completamentente sozinho, sem pais, sem irmãos, talvez fosse a única pessoa que tinha sobrevivido daquela família, sentindo nesse próprio dia os efeitos da guerra. Existia também alguém, em vários sítios deste enorme mundo, a gritar desesperadamente em silêncio, sentindo a solidão de uma cela e a agonia por não estar com quem mais ama. Isto tudo, no breve instante que eu sorria.
Apesar de tudo o que possamos saber e ouvir, apesar de tudo o que nos digam, nós nunca, ou dificilmente, vamos conseguir perceber a sorte enorme que temos, a felicidade que devia existir todos os dias nos nossos olhos. Dificilmente vamos perceber o que é sofrer, porque temos quase tudo nas nossas mãos. E vamos passar grande parte da nossa vida a queixar-nos do pouco que temos de lutar e enfrentar.
O Natal deve ser para nós uma tentativa de mudança, uma visão de todo o Mundo, um pensamento daquilo que somos e do que poderíamos ser. O Natal deve ser a percepção da real necessidade de ajuda, compreensão e solidariedade. Solidariedade com um mundo que existe lá fora, um mundo que também nos pertence e que tem um bocado de nós. Um mundo que precisa de uma mão nossa.
Vamos, neste Natal, desembrulhar com a maior das felicidades um enorme abraço e oferecer a alguém um simples sorriso.
Sara Matos, 9ºA
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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