Amor
Amar-te ao pôr do sol
beijar-te ao fim do dia,
viver a vida contigo
era a coisa que eu mais queria!!
Não tenho medo do mundo
nem tão pouco de morrer,
só tenho medo de um dia
me possas vir a esquecer!!!
Se tu fosses borboleta,
eu queria ser flor,
mais vale ficar sem néctar
do que ficar sem amor.
Amo-te sempre,
amo-te sem parar!!!
ès para mim
a pessoa que me faz sonhar!!!
Sonho no futuro
que me possas amar,
mas sei que que é mentira,
tenho de parar!!
Sonho com nós os dois,
num paraíso alegrar,
não quero que o sonho acabe
para nos podermos separar.
Espero que este sonho
se torne realidade
para nos podermos amar,
longe, na eternidade.
Diana Costa
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Olá! Eu Sou o Pai Natal!


Olá! Eu Sou o Pai Natal!
Neste Natal
Felicidade quero espalhar
Um Natal especial,
Mas nada de anormal.
Este Natal
A felicidade quero entregar,
Um Natal especial
Com muito amor no ar.
Chocolates e prendas vou dar
Neste dia tão habitual
As renas vão voar
E as prendas vou entregar.
lá fora está a nevar
As prendas já entreguei
A felicidade está no ar
Agora que acabei.
Eu não existo
Mas trago muita felicidade
Nesta data especial
Não fosse eu o Pai Natal!!!
André Martins
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Oficina de Escrita - 7ºA
Vencedores do Concurso de Escrita Natalícia

O quê? Já é natal?
Acordei,
Levantei-me e espreitei,
Parece incrível ter nevado
E eu nem ter reparado,
Mas mesmo assim continuei.
Vesti-me e desci as escadas
Que pareciam minuciosamente enfeitadas
Em tons verdes e vermelhos
Com bolas que pareciam espelhos.
Não percebi a razão
De tanta perfeição
Para um dia normal.
Contudo, não levei a mal
Dei os bons dias a toda a gente
E segui em frente o meu caminho.
Cheguei cá fora
E ninguém estava sozinho,
Até o meu solitário vizinho
Tinha visitas em casa.
Estranhei tanta mudança
E aí nasceu a minha desconfiança.
Não sou pessoa de intrigas,
E como as minhas amigas não me iam enganar
Resolvi lhes telefonar,
Mas nenhuma tinha o telemóvel ligado.
Fui então arranjar outro alguém,
Que por bem me quisesse ajudar.
Bastou apenas parar na rua,
Para que alguém me fosse valer
E se disponibilizasse a responder
À minha persistente questão.
Assim que a coloquei
Logo reparei no seu espanto.
E foi olhando-me estranhamente,
Que se afastou de mim.
Decidi depois por bem
Deixar a minha dúvida de lado,
Para não receber mais olhares do tipo.
E foi a regressar para casa
Que me deparei
Com um gigantesco e bonito
Pinheiro enfeitado,
Delicadamente adornado com uma estrela no topo.
Fiquei perplexa com tal imagem,
Que rapidamente se tornou
A principal personagem da minha reverente questão.
Mas desta vez fui mesmo para casa
Onde a minha família me esperava,
E com saudades me perguntava
Como é que eu tinha passado.
E com esta não caí para o lado
Porque reparei num resplandecente presente,
Que me aguardava junto de outro pinheiro enfeitado.
Ia para o desembrulhar
Quando toda a gente me ordenou que parasse
E me sentasse à mesa para almoçar.
Estive quase para lhes colocar a minha questão
Mas tive vergonha da reacção
E deixei-me estar.
Passado o almoço e a tarde
Notei muita ansiedade nas crianças
Que inquietamente olhavam a chaminé
Como que esperassem mais alguém para jantar.
Aí não posso negar,
Que não aguentei mais
E foi pôr-lhes a minha inseparável questão.
E foi com um ar repleto de razão
Que me responderam com prontidão
Que parasse de gozar.
Não queria acreditar
E estava disposta a perguntar
Quando de repente parei
E como por magia associei
Os acontecimentos de hoje.
Eu não estava muito longe da resposta
Quando incrivelmente gritei
“O quê? Já é Natal?”
Garanto-vos que foi risada geral,
Mas nunca ideia tal me tinha ocorrido.
E desta maneira digo
Que nunca esquecerei o sucedido
Neste natal,
Que para mim foi muito especial.
Pois pude-me aperceber
Dos valores e atitudes que acabam por acontecer
Geralmente nesta quadra
Que me guardou esta inesquecível surpresa…
Sara Pinheiro, 9ºA
NATAL, HOJE
Hoje, parei para reflectir no que é, afinal, o Natal. Parei para pensar por que é que afinal a maior parte de nós espera intensamente por esta época.
Lembro-me de contar os dias que faltavam, quase todas as semanas. Fazia-o com um sorriso tão grande, com uma magia enorme, que cobria quase toda a minha casa. Lembro-me e ainda consigo sentir o quanto feliz era quando acreditava na nostalgia do Natal, quando escrevia a carta com aquela quantidade absurda de prendas, que no fundo sabia que não poderia receber, mas ficava feliz na mesma, só a imaginar como seria este dia para todas as outras pessoas e a pensar no que elas iriam pedir. Era criança, rodeada de inocência e não imaginava o mundo frio e mentiroso que havia lá fora, não imaginava a crueldade, a falsidade e a hipocrisia que existia. E por isso sorria e desejava sempre mais e mais prendas, mais um carinho, mais um elogio de tudo que tinha feito naquele ano…
Agora imaginei, no breve instante em que fazia este pequeno gesto de sorrir, havia alguém, muito perto de mim, ao contrário do que muitas vezes penso, a deixar cair do seu pequeno rosto uma lágrima por não ter nada para comer naquele dia. Havia alguém, a chorar desconsoladamente por estar sozinho, completamentente sozinho, sem pais, sem irmãos, talvez fosse a única pessoa que tinha sobrevivido daquela família, sentindo nesse próprio dia os efeitos da guerra. Existia também alguém, em vários sítios deste enorme mundo, a gritar desesperadamente em silêncio, sentindo a solidão de uma cela e a agonia por não estar com quem mais ama. Isto tudo, no breve instante que eu sorria.
Apesar de tudo o que possamos saber e ouvir, apesar de tudo o que nos digam, nós nunca, ou dificilmente, vamos conseguir perceber a sorte enorme que temos, a felicidade que devia existir todos os dias nos nossos olhos. Dificilmente vamos perceber o que é sofrer, porque temos quase tudo nas nossas mãos. E vamos passar grande parte da nossa vida a queixar-nos do pouco que temos de lutar e enfrentar.
O Natal deve ser para nós uma tentativa de mudança, uma visão de todo o Mundo, um pensamento daquilo que somos e do que poderíamos ser. O Natal deve ser a percepção da real necessidade de ajuda, compreensão e solidariedade. Solidariedade com um mundo que existe lá fora, um mundo que também nos pertence e que tem um bocado de nós. Um mundo que precisa de uma mão nossa.
Vamos, neste Natal, desembrulhar com a maior das felicidades um enorme abraço e oferecer a alguém um simples sorriso.
Sara Matos,
9ºA
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Vencedores do Concurso de Escrita Natalícia
Viajar pode ser uma maneira de aprender
Viajar pode ser uma maneira de aprender
“Viajar pode ser uma maneira de aprender”. Viajar pode não significar sair do lugar. Podemos viajar num livro, numa peça de teatro e, mais extensamente, por exemplo, na televisão.
Com a leitura cuidada e atenta de um livro, conseguimos percorrer mundos inimagináveis que não conseguiríamos visitar dentro de um avião ou de um comboio. Um livro é uma maneira de aprender que nos faz “entrar” dentro de um outro mundo (um campo, um castelo, etc.).
Se visualizarmos uma peça de teatro atentamente, conseguimos perceber, como num livro, a realidade que rodeia a história. Aprendemos novos hábitos representados pelos actores de outros países, aí estamos a aprender.
Se viajarmos no espaço, quer seja num livro ou na realidade, aprendemos factos que nunca tínhamos imaginado e até culturas que não sabíamos que existiam. Já em termos de tempo, só conseguimos viajar pelos livros. Neste caso, aprendemos a história, os factos importantes do nosso passado.
Com as aulas, estudamos o essencial, mas falta sempre algo… Quando viajamos conhecemos rochas e minerais que nunca tínhamos imaginado (Ciências), novas culturas (História), entre outras. Para isso, também existem as visitas de estudo, para vermos o que aprendemos e para aprendermos ainda mais.
Quando viajamos, aprendemos o que ninguém nos pode explicar.
Patrícia Florindo, 9ºA
“Viajar pode ser uma maneira de aprender”. Viajar pode não significar sair do lugar. Podemos viajar num livro, numa peça de teatro e, mais extensamente, por exemplo, na televisão.
Com a leitura cuidada e atenta de um livro, conseguimos percorrer mundos inimagináveis que não conseguiríamos visitar dentro de um avião ou de um comboio. Um livro é uma maneira de aprender que nos faz “entrar” dentro de um outro mundo (um campo, um castelo, etc.).
Se visualizarmos uma peça de teatro atentamente, conseguimos perceber, como num livro, a realidade que rodeia a história. Aprendemos novos hábitos representados pelos actores de outros países, aí estamos a aprender.
Se viajarmos no espaço, quer seja num livro ou na realidade, aprendemos factos que nunca tínhamos imaginado e até culturas que não sabíamos que existiam. Já em termos de tempo, só conseguimos viajar pelos livros. Neste caso, aprendemos a história, os factos importantes do nosso passado.
Com as aulas, estudamos o essencial, mas falta sempre algo… Quando viajamos conhecemos rochas e minerais que nunca tínhamos imaginado (Ciências), novas culturas (História), entre outras. Para isso, também existem as visitas de estudo, para vermos o que aprendemos e para aprendermos ainda mais.
Quando viajamos, aprendemos o que ninguém nos pode explicar.
Patrícia Florindo, 9ºA
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Oficina de Escrita - 9ºA
Hoje
Hoje, parei para reflectir no que é, afinal, o Natal. Parei para pensar por que é que afinal a maior parte de nós espera intensamente por esta época.
Lembro-me de contar os dias que faltavam, quase todas as semanas. Fazia-o com um sorriso tão grande, com uma magia enorme, que cobria quase toda a minha casa. Lembro-me e ainda consigo sentir o quanto feliz era quando acreditava na nostalgia do Natal, quando escrevia a carta com aquela quantidade absurda de prendas, que no fundo sabia que não poderia receber, mas ficava feliz na mesma, só a imaginar como seria este dia para todas as outras pessoas e a pensar no que elas iriam pedir. Era criança, rodeada de inocência e não imaginava o mundo frio e mentiroso que havia lá fora, não imaginava a crueldade, a falsidade e a hipocrisia que existia. E por isso sorria e desejava sempre mais e mais prendas, mais um carinho, mais um elogio de tudo que tinha feito naquele ano…
Agora imaginei, no breve instante em que fazia este pequeno gesto de sorrir, havia alguém, muito perto de mim, ao contrário do que muitas vezes penso, a deixar cair do seu pequeno rosto uma lágrima por não ter nada para comer naquele dia. Havia alguém, a chorar desconsoladamente por estar sozinho, completamentente sozinho, sem pais, sem irmãos, talvez fosse a única pessoa que tinha sobrevivido daquela família, sentindo nesse próprio dia os efeitos da guerra. Existia também alguém, em vários sítios deste enorme mundo, a gritar desesperadamente em silêncio, sentindo a solidão de uma cela e a agonia por não estar com quem mais ama. Isto tudo, no breve instante que eu sorria.
Apesar de tudo o que possamos saber e ouvir, apesar de tudo o que nos digam, nós nunca, ou dificilmente, vamos conseguir perceber a sorte enorme que temos, a felicidade que devia existir todos os dias nos nossos olhos. Dificilmente vamos perceber o que é sofrer, porque temos quase tudo nas nossas mãos. E vamos passar grande parte da nossa vida a queixar-nos do pouco que temos de lutar e enfrentar.
O Natal deve ser para nós uma tentativa de mudança, uma visão de todo o Mundo, um pensamento daquilo que somos e do que poderíamos ser. O Natal deve ser a percepção da real necessidade de ajuda, compreensão e solidariedade. Solidariedade com um mundo que existe lá fora, um mundo que também nos pertence e que tem um bocado de nós. Um mundo que precisa de uma mão nossa.
Vamos, neste Natal, desembrulhar com a maior das felicidades um enorme abraço e oferecer a alguém um simples sorriso.
Sara Matos, 9ºA
Lembro-me de contar os dias que faltavam, quase todas as semanas. Fazia-o com um sorriso tão grande, com uma magia enorme, que cobria quase toda a minha casa. Lembro-me e ainda consigo sentir o quanto feliz era quando acreditava na nostalgia do Natal, quando escrevia a carta com aquela quantidade absurda de prendas, que no fundo sabia que não poderia receber, mas ficava feliz na mesma, só a imaginar como seria este dia para todas as outras pessoas e a pensar no que elas iriam pedir. Era criança, rodeada de inocência e não imaginava o mundo frio e mentiroso que havia lá fora, não imaginava a crueldade, a falsidade e a hipocrisia que existia. E por isso sorria e desejava sempre mais e mais prendas, mais um carinho, mais um elogio de tudo que tinha feito naquele ano…
Agora imaginei, no breve instante em que fazia este pequeno gesto de sorrir, havia alguém, muito perto de mim, ao contrário do que muitas vezes penso, a deixar cair do seu pequeno rosto uma lágrima por não ter nada para comer naquele dia. Havia alguém, a chorar desconsoladamente por estar sozinho, completamentente sozinho, sem pais, sem irmãos, talvez fosse a única pessoa que tinha sobrevivido daquela família, sentindo nesse próprio dia os efeitos da guerra. Existia também alguém, em vários sítios deste enorme mundo, a gritar desesperadamente em silêncio, sentindo a solidão de uma cela e a agonia por não estar com quem mais ama. Isto tudo, no breve instante que eu sorria.
Apesar de tudo o que possamos saber e ouvir, apesar de tudo o que nos digam, nós nunca, ou dificilmente, vamos conseguir perceber a sorte enorme que temos, a felicidade que devia existir todos os dias nos nossos olhos. Dificilmente vamos perceber o que é sofrer, porque temos quase tudo nas nossas mãos. E vamos passar grande parte da nossa vida a queixar-nos do pouco que temos de lutar e enfrentar.
O Natal deve ser para nós uma tentativa de mudança, uma visão de todo o Mundo, um pensamento daquilo que somos e do que poderíamos ser. O Natal deve ser a percepção da real necessidade de ajuda, compreensão e solidariedade. Solidariedade com um mundo que existe lá fora, um mundo que também nos pertence e que tem um bocado de nós. Um mundo que precisa de uma mão nossa.
Vamos, neste Natal, desembrulhar com a maior das felicidades um enorme abraço e oferecer a alguém um simples sorriso.
Sara Matos, 9ºA
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Oficina de Escrita - 9ºA
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Rostos sem nome
Rostos sem nome...
Já sonhei com pessoas que nunca vi e que provavelmente nunca irei ver, porque não existem.
E esse facto incomoda-me.
Como posso sonhar com pessoas que nunca vi, que não irei possivelmente ver e das quais não sei absolutamente nada?
Os meus personagens de sonhos (mais ou menos felizes) não têm futuro nem passado. E o único presente é aquele que eu testemunhei enquanto estava sob o sono.
Só lhes conheço os contornos do rosto e do olhar, por vezes, angustiante ou sedutor que me eram lançados, enquanto me dobrava no meio dos lençóis.
Não sei se são felizes, se são inteligentes, se são sensatos e divertidos. Nem tão pouco se têm família ou vivem sozinhos, se tem medos ou se a falta de alguém no mundo os fez perder o zelo pela vida e os tornou em aventureiros que arriscam a vida por nada.
Será que a muitos e muitos quilómetros daqui estará o rosto que me visitou a noite passada? E se estiver, terá sonhos angustiantes como os meus? E sonhará comigo? E se estiver e for como eu o imaginei, ou sonhei, ou pintei?
Terá o mesmo olhar profundo e inesquecível e saberá abraçar de uma maneira tão forte como aquela que quase senti na outra noite?
Talvez.
Mas, e, se realmente existir, de acordo com as lembranças que tenho dele?
O rosto, o abraço e o desconhecido?
Se não souber o seu nome, nem a sua historia de vida?
Se ele próprio não souber por quem luta na vida, apenas porque está sozinho?
Se não tiver nada nem ninguém, nem mesmo o reconforto de saber quem é?
Como será?
Deve ser mil vezes pior do que o vazio que sinto ao acordar e saber que aquilo com que sonhei só foi angustiante e vazio, porque
todos os rostos que vi, não tinham nome e eu nunca os poderia procurar.
Deve ser muito pior a angústia de não saber procurar por nós do que pelos outros. Felizmente, sei o meu nome e para onde vou. E hoje, estou certa de que o caminho por onde vou daqui para frente tem um nome e o nome que quero.
Inês Henriques
Já sonhei com pessoas que nunca vi e que provavelmente nunca irei ver, porque não existem.
E esse facto incomoda-me.
Como posso sonhar com pessoas que nunca vi, que não irei possivelmente ver e das quais não sei absolutamente nada?
Os meus personagens de sonhos (mais ou menos felizes) não têm futuro nem passado. E o único presente é aquele que eu testemunhei enquanto estava sob o sono.
Só lhes conheço os contornos do rosto e do olhar, por vezes, angustiante ou sedutor que me eram lançados, enquanto me dobrava no meio dos lençóis.
Não sei se são felizes, se são inteligentes, se são sensatos e divertidos. Nem tão pouco se têm família ou vivem sozinhos, se tem medos ou se a falta de alguém no mundo os fez perder o zelo pela vida e os tornou em aventureiros que arriscam a vida por nada.
Será que a muitos e muitos quilómetros daqui estará o rosto que me visitou a noite passada? E se estiver, terá sonhos angustiantes como os meus? E sonhará comigo? E se estiver e for como eu o imaginei, ou sonhei, ou pintei?
Terá o mesmo olhar profundo e inesquecível e saberá abraçar de uma maneira tão forte como aquela que quase senti na outra noite?
Talvez.
Mas, e, se realmente existir, de acordo com as lembranças que tenho dele?
O rosto, o abraço e o desconhecido?
Se não souber o seu nome, nem a sua historia de vida?
Se ele próprio não souber por quem luta na vida, apenas porque está sozinho?
Se não tiver nada nem ninguém, nem mesmo o reconforto de saber quem é?
Como será?
Deve ser mil vezes pior do que o vazio que sinto ao acordar e saber que aquilo com que sonhei só foi angustiante e vazio, porque
todos os rostos que vi, não tinham nome e eu nunca os poderia procurar.
Deve ser muito pior a angústia de não saber procurar por nós do que pelos outros. Felizmente, sei o meu nome e para onde vou. E hoje, estou certa de que o caminho por onde vou daqui para frente tem um nome e o nome que quero.
Inês Henriques
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Oficina de Escrita - 7ºA
A Guerra
A Guerra.
Corria a água nas ruas...
As pessoas corriam
Com a cabeça para baixo, apavoradas.
Era um dia triste,
Um dia pálido,
Um dia pálido com toda aquela dor
Vivida por aqueles pobres corações...
Até que eu senti aquela amargura
A entrar dentro de mim,
A corromper-me por dentro.
Senti,
Sim, naquele momento senti
Que o mundo tinha acabado!
E que aquelas ruas
Escorriam todo o sangue
Daqueles corpos ali estendidos...
E aqueles corações,
Lutavam por sobreviver
Àquela guerra infernar
E eu,
Eu ficará alí parada,
Imovél!
Vendo toda aquela imensa destruição
A matar todas aquelas inúmeras pessoas,
Aquela lutac
Pela própria vida!
E, alí,
Alí quieta percebi,
Percebi que o mundo se tinha tornado
Numa destruição total,
Em que
O ser humano tinha elouquecido!
E que a sua vida se tinha
Tornado uma guerra com fim indeterminado...
Será que?...
Será que irá ser este o futuro do ser humano?
...
Disso não sei,
Mas sei que este Futuro
Peturba,
Neste momento,
A minha mente
Com receio que no futuro morra alvejada por
UMA BALA DE GUERRA!!!
Inês Henriques
Corria a água nas ruas...
As pessoas corriam
Com a cabeça para baixo, apavoradas.
Era um dia triste,
Um dia pálido,
Um dia pálido com toda aquela dor
Vivida por aqueles pobres corações...
Até que eu senti aquela amargura
A entrar dentro de mim,
A corromper-me por dentro.
Senti,
Sim, naquele momento senti
Que o mundo tinha acabado!
E que aquelas ruas
Escorriam todo o sangue
Daqueles corpos ali estendidos...
E aqueles corações,
Lutavam por sobreviver
Àquela guerra infernar
E eu,
Eu ficará alí parada,
Imovél!
Vendo toda aquela imensa destruição
A matar todas aquelas inúmeras pessoas,
Aquela lutac
Pela própria vida!
E, alí,
Alí quieta percebi,
Percebi que o mundo se tinha tornado
Numa destruição total,
Em que
O ser humano tinha elouquecido!
E que a sua vida se tinha
Tornado uma guerra com fim indeterminado...
Será que?...
Será que irá ser este o futuro do ser humano?
...
Disso não sei,
Mas sei que este Futuro
Peturba,
Neste momento,
A minha mente
Com receio que no futuro morra alvejada por
UMA BALA DE GUERRA!!!
Inês Henriques
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Oficina de Escrita - 7ºA
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
O meu mundo...
O meu mundo...
O meu mundo é perfeito!
Posso ter um final feliz
sem ter de escolher
entre duas pessoas!!!
Sou feliz só
com quem quero!!!
L'a,
no meu mundo,
sou uma bailarina
que gosta tanto de dançar
que as sabrinas já estão estragadas.
Subo aos palcos e sou aplaudida e,
quando chego a casa, posso escrever
ao som da música, sem ninguém a incomodar-me.
No meu mundo sou uma pessoa normal,
com indecisões,
problemas,
tristezas,
felicidades...
Tenho tudo o que as outras pessoas têm.
Tenho sentimentos
como os outros.
De vez em quando
choro,
riu, mas
acima de tudo,
é o mundo que eu quero ter
e,
um dia,
o mundo em que eu vivo
vai-se tornar,
de verdade,
o mundo que eu sonhei para mim!!!
Inês Henriques
O meu mundo é perfeito!
Posso ter um final feliz
sem ter de escolher
entre duas pessoas!!!
Sou feliz só
com quem quero!!!
L'a,
no meu mundo,
sou uma bailarina
que gosta tanto de dançar
que as sabrinas já estão estragadas.
Subo aos palcos e sou aplaudida e,
quando chego a casa, posso escrever
ao som da música, sem ninguém a incomodar-me.
No meu mundo sou uma pessoa normal,
com indecisões,
problemas,
tristezas,
felicidades...
Tenho tudo o que as outras pessoas têm.
Tenho sentimentos
como os outros.
De vez em quando
choro,
riu, mas
acima de tudo,
é o mundo que eu quero ter
e,
um dia,
o mundo em que eu vivo
vai-se tornar,
de verdade,
o mundo que eu sonhei para mim!!!
Inês Henriques
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Oficina de Escrita - 7ºA
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
se eu fosse uma borboleta...

Se eu fosse uma borboleta
rodopiava no ar
fazendo círculos
fazendo círculos
sempre a bailar!!!
Via tudo e todos,
meninos a brincar,
meninos a brincar,
vários funcionários
e o Professor Valdemar.
o pato a grasnar
e depois ouvia
o cão a ladrar!!!
Via num hospital
e em cima do monte
um velho pastor.
Eu seria amarela,
amarela, amarelinha,
para ser igual ao sol,
para ser igual ao sol,
só precisava de ser mais redondinha!!!
Quatro pintas verdes
eu ia ter
eu ia ter
em cada asa
para andar a condizer.
Isabel Beatriz
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Oficina de Escrita - 5ºA
O meu quarto é...

O meu quarto é novo, é o meu cantinho, é o meu refúgio da realidade. Lá eu posso fchar os olhos e sonhar com um mundo perfeito, sem guerras, sem maldades, sem injustiças. Como seria bom se no mundo só existisse o amor, a amizade, o carinho, o respeito entre as pessoas, onde tudo fosse harmonioso!!! Quando abro os olhos percebo que a realidade não é esta, mas penso sempre em contribuir para um mundo melhor.

No meu quarto, gosto de ter pouca luz (ou a do candeeiro ou a da janela), poiis gosto de quando abro abro as cortinas que o Sol ilumine a minha cama "mágica", que é nova e o colchão que parece fazer-me uma massagem relaxante. Fico muito tranquila quando quando me estico na minha cama. A minha cama tem umas gavetas por baixo, onde gaurdo tudo aquilo de que eu gosto, desde postais de férias, convites de aniversário dos meus amigos, pequenas lembranças que são muito grandes para mim!!! Também estudo no meu quarto, embora goste mais de estudar na sala ou na cozinha. Outro sítio onde gosto de estar é na varanda do meu quarto, onde logo de manhã ele me vem visitar. E como gosta dessas visitas!!!
O meu quarto é o meu refúgio e onde adoro estar!!!
Inês Carvalho, 5ºA
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Oficina de Escrita - 5ºA
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Isabel Alçada

Isabel Alçada nasceu em Lisboa a 29 de Maio de 1950, sendo a mais velha de três irmãs. A casa da família era muito frequentada pelas tias e pelas primas mas apesar de pertencer a um grupo maioritariamente feminino, quem representava a autoridade máxima era o pai, homem de pulso firme, alegre, optimista, criativo. As histórias e os jogos que inventava, bem como os passeios e visitas a museus que organizava, representavam um desafio e um estímulo permanente para as filhas e afinal para todos os que os acompanhavam.A infância e juventude decorreram num ambiente alegre, caloroso, feliz, rico de vivências.Frequentou o Liceu Francês Charles Lepierre, onde concluiu o Ensino Secundário. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Casou ainda estudante, na véspera de fazer 18 anos e iniciou a sua vida profissional a trabalhar no Centro de Formação e Orientação Profissional - Psicoforma. Concluído o curso, ingressou nos quadros do Ministério da Educação, tendo participado activamente na Reforma do Ensino Secundário em 1975/76. No ano seguinte optou por seguir carreira como professora de Português e História. Foi convidada para trabalhar na formação de professores como orientadora de estágio.Nessa qualidade participou em diversos cursos e seminários em Portugal e no estrangeiro.Fez o mestrado em Ciências da Educação nos Estados Unidos da América, Universidade de Boston. Actualmente faz parte do quadro de professores da Escola Superior de Educação de Lisboa. Publicou estudos que apresentou em Bruxelas, Tessalónica, Aix-en-Provence e Frankfurt.Estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em parceria com Ana Maria Magalhães em 1982.Os seus livros, que marcaram uma viragem na história da literatura infantil portuguesa, reflectem a infância feliz, a longa e variada experiência educativa, o enorme talento para comunicar com os mais novos.
Visite o site das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Obras publicadas na Caminho
Rãs, Príncipes e Feiticeiros– oito histórias dos oito países que falam português (1.ª edição, 2009; 1..ª edição, 2009) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 0Com ilustrações a cores de Danuta Wojciechowska
Três Fábulas (1.ª edição, 20072007) Com ilustrações a cores de Danuta Wojciechowska
História de Portugal – Portugal no Século das Luzes (1.ª edição, 2008) «História de Portugal», n.º 0Com ilustrações a Cores de Carlos Marques
Uma Aventura no Alto Mar (1.ª edição, 2008) «Uma Aventura», n.º 50Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Os Jovens e a Leitura nas Vésperas do Século XXI (1994) «Cadernos O Professor», n.º 13
Uma Aventura na Cidade (18.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias do Natal (16.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Falésia (15.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Viagem (14.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 4Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Bosque (14.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 5Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura entre Douro e Minho (13.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 6Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Alarmante (12.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 7Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Escola (17.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 8Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Ribatejo (12.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 9Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Evoramonte (12.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 10Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Mina (12.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 11Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Algarve (13.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 12Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Porto (14.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 13Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Estádio (14.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 14Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Terra e no Mar (11.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 15Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura debaixo da Terra (11.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 16Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Supermercado (11.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 17Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Musical (9.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 18Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias da Páscoa (10.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 19Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Teatro (9.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 20Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Deserto (10.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 21Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Lisboa (8.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 22Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias Grandes (8.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 23Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Carnaval (7.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 24Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde (9.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 25Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Palácio da Pena (8.ª edição, 2005) «Uma Aventura», n.º 26Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Inverno (6.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 27Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em França (7.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 28Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Fantástica (6.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 29Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Verão (5.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 30Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nos Açores (6.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 31Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Serra da Estrela (7.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 32Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Praia (5.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 33Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Perigosa (5.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 34Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Macau (5.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 35Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Biblioteca (3.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 36Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Espanha (4.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 37Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Casa Assombrada (4.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 38Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Televisão (1.ª edição, 1998; 3.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 39Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Egipto (1.ª edição, 1999; 3.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 40Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Quinta das Lágrimas (1.ª edição, 1999; 4.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 41Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Noite das Bruxas (1.ª edição, 2000; 3.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 42Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Castelo dos Ventos (1.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 43Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Secreta (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 44Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Ilha Deserta (1.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 45Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura entre as Duas Margens do Rio (1.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 46Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Caminho do Javali (1.ª edição, 2005) «Uma Aventura», n.º 47Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Comboio (1.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 48Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Labirinto Misterioso (1.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 49Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Viagem ao Tempo dos Castelos (13.ª edição, 2007) «Viagens no Tempo», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Visita à Corte do Rei D. Dinis (10.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Ano da Peste Negra (8.ª edição, 2002) «Viagens no Tempo», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Ilha de Sonho (6.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 4Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
A Terra Será Redonda? (6.ª edição, 2004) «Viagens no Tempo», n.º 5Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Um Cheirinho de Canela (4.ª edição, 2000) «Viagens no Tempo», n.º 6Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Dia do Terramoto (8.ª edição, 2007) «Viagens no Tempo», n.º 7Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Mistérios da Flandres (3.ª edição, 2001) «Viagens no Tempo», n.º 8Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Sabor da Liberdade (4.ª edição, 2005) «Viagens no Tempo», n.º 9Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Brasil! Brasil! (4.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 10Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Um Trono para Dois Irmãos (5.ª edição, 2006) «Viagens no Tempo», n.º 11Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Mataram o Rei! (3.ª edição, 2001) «Viagens no Tempo», n.º 12Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Tufão nos Mares da China (2.ª edição, 2004) «Viagens no Tempo», n.º 13Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
No Coração da África Misteriosa (1.ª edição, 1998) «Viagens no Tempo», n.º 14Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Viagem à Índia (1.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 15Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Tapete Mágico (2.ª edição, 1990) «Asa Delta», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Azulejo Mágico (2.ª edição, 1991) «Asa Delta», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Os Músicos Mágicos (2.ª edição, 1991) «Asa Delta», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Histórias dos Jerónimos «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 12Com ilustrações a cores de Emílio Távora Vilar
Une Aventure en France «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 16Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Histórias e Lendas da Europa (5.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 18Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Histórias e Lendas da América (2.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 19Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Piratas e Corsários (1995) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 24Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Portugal - História e Lendas (1.ª edição, 2001; 6.ª edição, 2007) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 42Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Diniz Conefrey; Pedro Cabral Gonçalves; Clara Vilar
Natal! Natal! (1.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 51Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Há Fogo na Floresta (1.ª edição, 2005) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 55Com ilustrações a Cores de Pedro Mendes
Os Primeiros Reis (História de Portugal - Vol. I) (4.ª edição, 2006) «História de Portugal», n.º 1Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; Margarida Rodrigues; Susana Villar
No Reino de Portugal (História de Portugal - Vol. II) (1.ª edição, 1994; 2.ª edição, 2003) «História de Portugal», n.º 2Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; Carlos Marques
Tempos de Revolução (História de Portugal - Vol. III) (1.ª edição, 1995) «História de Portugal», n.º 3Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Emílio Vilar; Pedro Cabral Gonçalves
História de Portugal Vol. VII - Portugal Encoberto e Restaurado (1.ª edição, 2006) «História de Portugal», n.º 7Com ilustrações a Cores de Carlos Marques
Viagens e Aventuras (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. I) (5.ª edição, 2001) «História de Portugal», n.º 62Com ilustrações a cores de Emílio Vilar
As Grandes Viagens (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. II) (3.ª edição, 2003) «História de Portugal», n.º 64Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; João Pedro Santos; Ricardo Blanco
Nos Quatro Cantos do Mundo (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. III) «História de Portugal», n.º 65Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Emílio Vilar; Pedro Cabral Gonçalves
Diário Secreto de Camila (1.ª edição, 1999; 5.ª edição, 2006) «Livros do Dia e da Noite», n.º 3
Diário Cruzado de João e Joana (1.ª edição, 2000; 3.ª edição, 2006) «Livros do Dia e da Noite», n.º 8
A Gata Gatilde (1.ª edição, 2001) «Ler dá Prazer», n.º 1Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
O Leão e o Canguru (1.ª edição, 2001; 3.ª edição, 2007) «Ler dá Prazer», n.º 2Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
O Crocodilo Nini (1.ª edição, 2001) «Ler dá Prazer», n.º 3Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
A Joaninha Vaidosa (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2007) «Ler dá Prazer», n.º 4Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
Lendas da Europa — Histórias e Jogos (CD-ROM) (1.ª edição, 2000) «Diversos», n.º 1Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
Os Primos e a Fada Atarantada (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2006) «Floresta Mágica», n.º 1Com ilustrações a cores de Helena Simas
Os Primos e a Bruxa Cartuxa (1.ª edição, 2003; 4.ª edição, 2008) «Floresta Mágica», n.º 2Com ilustrações a cores de Helena Simas
Os Primos e o Feiticeiro Lampeiro (1.ª edição, 2005) «Floresta Mágica», n.º 3Com ilustrações a Cores de Helena Simas
Os Primos e o Mago Envergonhado (1.ª edição, 2005) «Floresta Mágica», n.º 4Com ilustrações a Cores de Helena Simas
Quero Ser Actor (1.ª edição, 2005) «Quero Ser», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Mónica Lameiro
Quero ser Outro (1.ª edição, 2006) «Quero Ser», n.º
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Biografias
Ana Maria Magalhães

Ana Maria Magalhães
Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946, no seio de uma enorme família onde as crianças ocupavam o primeiro lugar. A casa albergava pais, avós, uma tia viúva, notável contadora de histórias. Ali eram recebidas também com frequência os muitos tios e primos, que se instalavam para passar temporadas quando vinham do Porto, da Régua, de Moncorvo, trazendo consigo outras posturas, outras histórias, uma linguagem diferente com outras expressões, outras sonoridades. A infância e juventude decorreram portanto num ambiente alegre, caloroso, rico de experiências humanas.Foi aluna do Colégio Sagrado Coração de Maria, onde concluiu o ensino secundário. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo acumulado, durante os três primeiros anos, com a frequência do Curso Superior de Psicologia Aplicada no ISPA. O casamento, aos 21 anos, obrigaria a uma opção. Ainda estudante, começou a trabalhar no Cambridge School e depois no Gabinete de Estudos dos Serviços de Apoio à Juventude (FAOJ) do Ministério da Educação.Iniciou a actividade docente como professora de História de Portugal do 2.º ciclo no ano lectivo de 1969/1970 no Liceu António Enes em Lourenço Marques, Moçambique.O contacto próximo com crianças africanas, indianas, chinesas e portuguesas foi tão motivante que, de regresso a Lisboa, decidiu enveredar definitivamente pela carreira docente. Encontrou colocação na Escola Preparatória de Salvaterra de Magos, onde teve oportunidade de conhecer o meio rural, experiência muito gratificante, apesar das dificuldades inerentes ao facto de trabalhar longe de casa tendo dois filhos pequenos.No ano lectivo de 1976/1977 fez estágio pedagógico do 1.º grupo na Escola Preparatória Fernando Pessoa, em Lisboa. Entre 1980 e 1982 desempenhou funções na Formação de Professores de História (delegada com profissionalização em exercício). Em 1982 foi convidada para Técnica do Serviço de Ensino de Português no Estrangeiro. Nessa qualidade preparou e apresentou cursos de formação de professores, visitou escolas em vários países da Europa e nos Estados Unidos da América, participou em seminários do Conselho da Europa em Portugal e no Estrangeiro.O ministro da Educação chamou-a para integrar a equipa que se ocupou da Reforma do Sistema Educativo entre 1989 e 1991. Desempenhou funções de coordenadora de reforma curricular do 2.º ciclo. Nos dois anos seguintes dedicou-se a um estudo sobre os jovens e a leitura no âmbito do Instituto de Inovação Educacional.Em 1994 aceitou o convite da Expo’98 para dirigir o Jornal do Gil. Em 1997 foi destacada para o gabinete do Ministro da Educação a fim de estabelecer a ligação pedagógica entre o Pavilhão de Portugal da Expo’98 e as escolas.A par desta intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em parceria com Isabel Alçada em 1982.Os seus livros, que marcaram uma viragem na história da literatura infantil portuguesa, reflectem a longa e rica experiência educativa, são eco de uma infância e juventude particularmente felizes e traduzem o seu enorme talento para comunicar com os mais novos.Autobiografia (publicada na edição de 31 de Agosto do Jornal de Letras)
Boas MemóriasCresci num casarão povoado de contadores de histórias. À minha avó, que preferia factos e gente de carne e osso, devo Zé do Telhado e a justiça popular que tudo perdoa a quem rouba aos ricos para dar aos pobres. E os amores proibidos de Pedro e Inês mais o desfecho trágico junto à Fonte das Lágrimas que durante anos imaginei a lançar águas revoltosas directamente no rio Mondego.A minha mãe concebia enredos surpreendentes a propósito das nuvens que nos acompanhavam em viagem ou das páginas soltas espalhadas nas mesas dos consultórios. Também utilizava a mobília do quarto que, em noites de trovoada, adquire contornos assustadores. E objectos soltos como ponto de partida para as mais fantásticas brincadeiras. Havia ainda a tia São. Velha, viúva, de fracos recursos, acolhida por amor e solidariedade, sem outro encargo para além de entreter as crianças, tornou-se grande especialista em mouras encantadas e princesas infelicíssimas de quem falava como se fossem pessoas verdadeiras indignando-se contra a perversidade das madrastas, o espírito influenciável dos pais e dos maridos, mostrando-se particularmente sensível à vida tormentosa da menina que tinha uma estrela de ouro na testa, única capaz de a fazer chorar.Uma só página obriga a escolhas, constato que evoquei três figuras femininas e não me admiro. Pertenço a um matriarcado discreto, ou mesmo secreto, pois, embora a força estivesse do lado das mulheres, os homens eram incensados como deuses e assim tudo funcionava na perfeição. Antes de ir para a escola já inventava histórias, tendo o cuidado de as adaptar aos primeiros ouvintes. Para o meu irmão Tó-Zé era preciso acção, desafios, elementos possíveis de transformar num jogo ou numa peça de teatro. Para o Manuel Maria, cinco anos mais novo, funcionavam melhor os mundos paralelos, que lhe sussurrava no vão da janela onde pouco depois de nos instalarmos se gerava uma atmosfera de esconderijo. Fontes de inspiração não faltavam. O sótão dos primos do Estoril, que visitávamos com frequência, podia tornar-se palco de acontecimentos extraordinários como foi o caso da grande festa no fim do Verão destinada a personagens dos contos de Perrault em que assumi com gosto o papel de capuchinho vermelho. Ao Porto também íamos bastante, quase sempre de comboio, atravessando na última etapa uma ponte fora de prazo que rangia apesar das carruagens avançarem devagar, devagarinho. Os passageiros, no mais absoluto silêncio, olhavam ora o temido rio lá em baixo, ora o desejadíssimo aglomerado de casas de granito mesmo em frente. Este percurso entre as duas margens do Douro marcava a passagem para outro universo, um universo maravilhoso onde até as palavras soavam de maneira diferente. Às vezes seguíamos para a Régua. Aí, da nossa geração éramos quinze e a geração acima, a dos pais, mantinha um grupo do teatro amador e dava espectáculos nos mais variados tipos de salas. Em Setembro assistíamos às vindimas na quinta da Silveira. Um mês inteiro de liberdade para fazer escaladas, tomar banho no rio, procurar tesouros escondidos, escutar os velhos que falavam de encantos, de bruxas e de lobisomens depois dos bailes na estrada em noites de lua cheia ou perto do lume quando o tempo arrefecia e as primeiras chuvas acrescentavam ao cheiro a mosto o odor inconfundível da terra molhada. Foi nesta quinta que melhor conheci as delícias da leitura anárquica. À luz da vela e até altas horas, da condessa de Ségur a Tolstoi, sem regras, sem imposições, sem interferências, um êxtase.Estudar, estudei no sagrado Coração de Maria e adorei. O elevado grau de exigência não me assustava, o ambiente de boa camaradagem agradava-me, fiz amizades para toda a vida. Recordo com especial admiração a professora de literatura que tratávamos respeitosamente por Dona Noémia. Feia, austera, distante, ensinava como ninguém e pregava-nos à carteira sempre que lia em voz alta. Ainda hoje, se tenho saudades de Santa Olávia e resolvo ir até lá passar a tarde é através dela que ouço Carlos da Maia gritando do trapézio tu és o Vilaça.Quando tinha quinze anos proporcionou-se-me a experiência singular de conhecer Londres sozinha. A minha tia mais nova, casada com um inglês, convidara-me a visitá-la nas férias e eu parti para casa dela no maior entusiasmo. Mas afinal a casa não era bem uma casa e não ficava em Londres. Os meus tios viviam nos aposentos independentes de um magnífico palacete cujo dono, talvez por já não receber imensos hóspedes ao fim-de-semana, resolvera alugar. A propriedade estendia-se pelos campos levemente ondulados de Camfield Place. Rodeada de muros, com portões enormes, relvados a perder de vista e árvores centenárias, não podia ser mais bela, nem mais silenciosa, nem mais opressiva. A minha tia, grávida e com uma filha pequena, raramente saía, mas tinha tudo preparado para me receber. Horários de autocarros até à vila mais próxima. Mapas do metropolitano e da cidade. Informações pormenorizadas sobre monumentos, museus, zonas a não perder, zonas a evitar, listas de filmes e de espectáculos. De manhã arranjava-me farnel e eu lá ia, de início vagamente receosa, a pouco e pouco ganhando confiança e à vontade. Não sei se gostei mais da Torre de Londres, da Tate Gallery ou de ver sem legendas E Tudo o Vento Levou. Mas sei que ao fim da tarde, quando passeava pelas ruas apinhadas de gente e me cruzava com indianas de sari, muçulmanos de turbante, ingleses ainda de chapéu de coco e bengala, livre para decidir se queria ver montras, sentar-me numa esplanada ou não fazer absolutamente nada me sentia capaz de enfrentar este mundo e outro. O pior era à noite. Por azar, nas vésperas de me meter no avião, tinha ido a um cinema de Lisboa ver o Drácula. E as árvores gigantes do palacete estampavam no vidro da janela do meu quarto a face lívida de caninos salientes. Aterrada e sem querer incomodar, acendia a luz e pegava num livro ao acaso. Ora a minha tia, protestante convicta, tinha inúmeras obras em que a ficção mais não era senão pretexto para transmitir mensagens espirituais e religiosas. Costumo dizer que os dias de descoberta deslumbrada alternaram com noites de terror evangélico. E que esta viagem a Londres teve o efeito de uma carta de alforria.A passagem pela faculdade de letras exigiu uma criteriosa administração do tempo. Dividida entre o curso, o casamento, o nascimento dos filhos, o primeiro emprego, contei com o apoio providencial do melhor aluno, o Zé Barata Moura, já então robusto, barbudo, de olhar doce e risonho, cheio de paciência para mim e para todos os colegas que precisassem de esclarecer dúvidas. Um amor, o senhor Reitor.Creio que estava no terceiro ano quando fui para Moçambique e ganhei um estatuto que tem muito que se lhe diga: aluna no hemisfério norte, professora no hemisfério sul. Este balançar entre os dois lados da mesa não é menos mágico do que o balanço entre os dois lados do espelho. Apliquei-me. Procurei caminhos. Percebi que só conseguia ensinar História se aceitasse as alunas como em criança aceitava os meus irmãos na hora de contar histórias. Aprendi como se faz. De regresso a casa quis continuar e continuei.Corria o ano de 1976 quando conheci a Isabel Alçada à porta da escola onde íamos fazer estágio. Formámos equipa e entendemo-nos muito bem porque gostávamos dos alunos, porque o trabalho nos divertia, porque tínhamos feito a mesma aposta. Explicar, sem afugentar. Dizer, para se entender. Conduzir, sem oprimir nem desiludir. Procurar sempre a verdade porque só a verdade permite traçar a rota que leva a bom porto.Foram necessários quatro anos de treino intenso para percebermos que queríamos escrever um livro em parceria e que estavam reunidas as condições para começar. Delineámos o nosso projecto contra ventos e marés, ignorando modas, recusando compromissos e vassalagens. Queríamos dirigir-nos directamente às crianças e foi isso que fizemos.A reacção das crianças encantou uns, irritou outros, revelou-se determinante. As editoras viram-se obrigadas a repensar o catálogo. A crítica íntegra alargou os parâmetros de avaliação. Foram surgindo adeptos entusiastas e não faltaram renitentes a converter-se.Propostas, convites, debates, encontros, viagens, pesquisas, a vida ganhou um ritmo vertiginoso. Quando dei por mim tinha-me tornado avó e já usava óculos tal qual a avó do capuchinho vermelho. Assumi o papel com todo o gosto por me parecer muito adequado a uma contadora de histórias.Ana Maria Magalhães
Obras publicadas na Caminho
Rãs, Príncipes e Feiticeiros– oito histórias dos oito países que falam português (1.ª edição, 2009; 1..ª edição, 2009) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 0Com ilustrações a cores de Danuta Wojciechowska
Uma Aventura na Amazónia (1.ª edição, 20092009) «Uma Aventura», n.º 0Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Três Fábulas (1.ª edição, 20072007) Com ilustrações a cores de Danuta Wojciechowska
História de Portugal – Portugal no Século das Luzes (1.ª edição, 2008) «História de Portugal», n.º 0Com ilustrações a Cores de Carlos Marques
Uma Aventura no Alto Mar (1.ª edição, 2008) «Uma Aventura», n.º 50Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Os Jovens e a Leitura nas Vésperas do Século XXI (1994) «Cadernos O Professor», n.º 13
Uma Aventura na Cidade (18.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias do Natal (16.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Falésia (15.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Viagem (14.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 4Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Bosque (14.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 5Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura entre Douro e Minho (13.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 6Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Alarmante (12.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 7Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Escola (17.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 8Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Ribatejo (12.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 9Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Evoramonte (12.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 10Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Mina (12.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 11Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Algarve (13.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 12Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Porto (14.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 13Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Estádio (14.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 14Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Terra e no Mar (11.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 15Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura debaixo da Terra (11.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 16Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Supermercado (11.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 17Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Musical (9.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 18Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias da Páscoa (10.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 19Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Teatro (9.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 20Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Deserto (10.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 21Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Lisboa (8.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 22Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Férias Grandes (8.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 23Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Carnaval (7.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 24Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde (9.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 25Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Palácio da Pena (8.ª edição, 2005) «Uma Aventura», n.º 26Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Inverno (6.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 27Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em França (7.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 28Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Fantástica (6.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 29Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Verão (5.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 30Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura nos Açores (6.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 31Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Serra da Estrela (7.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 32Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Praia (5.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 33Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Perigosa (5.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 34Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Macau (5.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 35Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Biblioteca (3.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 36Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura em Espanha (4.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 37Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Casa Assombrada (4.ª edição, 2002) «Uma Aventura», n.º 38Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Televisão (1.ª edição, 1998; 3.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 39Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Egipto (1.ª edição, 1999; 3.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 40Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Quinta das Lágrimas (1.ª edição, 1999; 4.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 41Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Noite das Bruxas (1.ª edição, 2000; 3.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 42Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Castelo dos Ventos (1.ª edição, 2001) «Uma Aventura», n.º 43Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura Secreta (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 44Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura na Ilha Deserta (1.ª edição, 2003) «Uma Aventura», n.º 45Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura entre as Duas Margens do Rio (1.ª edição, 2004) «Uma Aventura», n.º 46Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Caminho do Javali (1.ª edição, 2005) «Uma Aventura», n.º 47Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Comboio (1.ª edição, 2006) «Uma Aventura», n.º 48Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Aventura no Labirinto Misterioso (1.ª edição, 2007) «Uma Aventura», n.º 49Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Viagem ao Tempo dos Castelos (13.ª edição, 2007) «Viagens no Tempo», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Visita à Corte do Rei D. Dinis (10.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Ano da Peste Negra (8.ª edição, 2002) «Viagens no Tempo», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Uma Ilha de Sonho (6.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 4Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
A Terra Será Redonda? (6.ª edição, 2004) «Viagens no Tempo», n.º 5Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Um Cheirinho de Canela (4.ª edição, 2000) «Viagens no Tempo», n.º 6Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Dia do Terramoto (8.ª edição, 2007) «Viagens no Tempo», n.º 7Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Mistérios da Flandres (3.ª edição, 2001) «Viagens no Tempo», n.º 8Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Sabor da Liberdade (4.ª edição, 2005) «Viagens no Tempo», n.º 9Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Brasil! Brasil! (4.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 10Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Um Trono para Dois Irmãos (5.ª edição, 2006) «Viagens no Tempo», n.º 11Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Mataram o Rei! (3.ª edição, 2001) «Viagens no Tempo», n.º 12Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Tufão nos Mares da China (2.ª edição, 2004) «Viagens no Tempo», n.º 13Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
No Coração da África Misteriosa (1.ª edição, 1998) «Viagens no Tempo», n.º 14Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Viagem à Índia (1.ª edição, 2003) «Viagens no Tempo», n.º 15Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Tapete Mágico (2.ª edição, 1990) «Asa Delta», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
O Azulejo Mágico (2.ª edição, 1991) «Asa Delta», n.º 2Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Os Músicos Mágicos (2.ª edição, 1991) «Asa Delta», n.º 3Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Histórias dos Jerónimos «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 12Com ilustrações a cores de Emílio Távora Vilar
Une Aventure en France «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 16Com ilustrações a preto e branco de Arlindo Fagundes
Histórias e Lendas da Europa (5.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 18Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Histórias e Lendas da América (2.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 19Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Piratas e Corsários (1995) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 24Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Portugal - História e Lendas (1.ª edição, 2001; 6.ª edição, 2007) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 42Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Diniz Conefrey; Pedro Cabral Gonçalves; Clara Vilar
Natal! Natal! (1.ª edição, 2004) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 51Com ilustrações a cores de Carlos Marques
Há Fogo na Floresta (1.ª edição, 2005) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 55Com ilustrações a Cores de Pedro Mendes
Os Primeiros Reis (História de Portugal - Vol. I) (4.ª edição, 2006) «História de Portugal», n.º 1Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; Margarida Rodrigues; Susana Villar
No Reino de Portugal (História de Portugal - Vol. II) (1.ª edição, 1994; 2.ª edição, 2003) «História de Portugal», n.º 2Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; Carlos Marques
Tempos de Revolução (História de Portugal - Vol. III) (1.ª edição, 1995) «História de Portugal», n.º 3Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Emílio Vilar; Pedro Cabral Gonçalves
História de Portugal Vol. VII - Portugal Encoberto e Restaurado (1.ª edição, 2006) «História de Portugal», n.º 7Com ilustrações a Cores de Carlos Marques
Viagens e Aventuras (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. I) (5.ª edição, 2001) «História de Portugal», n.º 62Com ilustrações a cores de Emílio Vilar
As Grandes Viagens (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. II) (3.ª edição, 2003) «História de Portugal», n.º 64Com ilustrações a cores de Emílio Vilar; João Pedro Santos; Ricardo Blanco
Nos Quatro Cantos do Mundo (Os Descobrimentos Portugueses - Vol. III) «História de Portugal», n.º 65Com ilustrações a cores de Carlos Marques; Emílio Vilar; Pedro Cabral Gonçalves
Diário Secreto de Camila (1.ª edição, 1999; 5.ª edição, 2006) «Livros do Dia e da Noite», n.º 3
Diário Cruzado de João e Joana (1.ª edição, 2000; 3.ª edição, 2006) «Livros do Dia e da Noite», n.º 8
A Gata Gatilde (1.ª edição, 2001) «Ler dá Prazer», n.º 1Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
O Leão e o Canguru (1.ª edição, 2001; 3.ª edição, 2007) «Ler dá Prazer», n.º 2Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
O Crocodilo Nini (1.ª edição, 2001) «Ler dá Prazer», n.º 3Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
A Joaninha Vaidosa (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2007) «Ler dá Prazer», n.º 4Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
Lendas da Europa — Histórias e Jogos (CD-ROM) (1.ª edição, 2000) «Diversos», n.º 1Com ilustrações a cores de Nuno Feijão
Os Primos e a Fada Atarantada (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2006) «Floresta Mágica», n.º 1Com ilustrações a cores de Helena Simas
Os Primos e a Bruxa Cartuxa (1.ª edição, 2003; 4.ª edição, 2008) «Floresta Mágica», n.º 2Com ilustrações a cores de Helena Simas
Os Primos e o Feiticeiro Lampeiro (1.ª edição, 2005) «Floresta Mágica», n.º 3Com ilustrações a Cores de Helena Simas
Os Primos e o Mago Envergonhado (1.ª edição, 2005) «Floresta Mágica», n.º 4Com ilustrações a Cores de Helena Simas
Quero Ser Actor (1.ª edição, 2005) «Quero Ser», n.º 1Com ilustrações a preto e branco de Mónica Lameiro
Quero ser Outro (1.ª edição, 2006) «Quero Ser», n.º 2
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Biografias
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sophia de Mello Breyner Andresen

Poetisa e contista portuguesa, nasceu no Porto, no seio de uma família aristocrática, e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo. Teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores. O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença recorrente nos versos de Sophia, através da sua crença profunda na união entre os deuses e a natureza, tal como outra dimensão da religiosidade, provinda da tradição bíblica e cristã. A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas e à tragicidade da vida humana são reflexo de uma formação clássica, com leituras, por exemplo, de Homero, durante a juventude. Colaborou nas revistas Cadernos de Poesia (1940), Távola Redonda (1950) e Árvore (1951) e conviveu com nomes da literatura como Miguel Torga, Ruy Cinatti e Jorge de Sena. Na lírica, estreou-se com Poesia (1944), a que se seguiram Dia do Mar (1947), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), Mar Novo (1958), O Cristo Cigano (1961), Livro Sexto (1962, Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores), Geografia (1967), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977, Prémio Teixeira de Pascoaes), Navegações (1977-82) e Ilhas (1989). Este último voltou a ser publicado em 1996, numa edição de poemas escolhidos acompanhada de fotografias de Daniel Blaufuks. Em 1968, foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua Obra Poética. Seguiram-se os títulos Musa (1994) e O Búzio de Cós (1997). Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993). Em prosa, escreveu O Rapaz de Bronze (1956), Contos Exemplares (1962), Histórias da Terra e do Mar (1984) e os contos infantis A Fada Oriana (1958), A Menina do Mar (1958), Noite de Natal (1959), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). É ainda autora dos ensaios Cecília Meireles (1958), Poesia e Realidade(1960) e O Nu na Antiguidade Clássica (1975), para além de trabalhos de tradução de Dante, Shakespeare e Eurípedes. A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em 1999. Em 2001, foi distinguida com o Prémio Max Jacob de Poesia, num ano em que o prémio foi excepcionalmente alargado a poetas de língua estrangeira. Em Agosto do mesmo ano, foi lançada a antologia poética Mar. Em Outubro publicou o livro O Colar. Em Dezembro, saiu a obra poética Orpheu e Eurydice, onde o orphismo está, mais uma vez, presente, bem como o amor entre Orpheu, símbolo dos poetas, e Eurídice, que a autora recupera num sentido diverso do instaurado pela tradição helénica
Chamo-me... Saint-Exupéry

7º ano
O Grande Livro do Medo, de Charles Dickens

8º ano
Chamo-me... Saint-Exupéry, de Meritel Marti
9º ano
Primeiro Livro de Poesia, de Sophia de Mello Breyner Andresen
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Sugestões de Leitura
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Alexandre Herculano

Nascido em 28 de Março de 1810, Alexandre Herculano estuda Humanidades no colégio dos Oratorianos com vista à matrícula na Universidade, mas a cegueira do pai força-o a abdicar desse projecto e a limitar-se a um curso prático de Comércio, estudos de Diplomática (Paleografia) e de Línguas. Desde muito jovem que a sua vocação para as letras se manifesta: lê e traduz escritores românticos estrangeiros, como Schiller, Klopstock, ou Chateaubriand, escreve poesia, conhece Castilho e frequenta os salões da Marquesa de Alorna.
Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.
Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.
Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, “Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir?”, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, “Poesia – Imitação – Belo - Unidade”, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a “imoralidade” e a “irreligião” que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em “A Semana Santa” (1829).
Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d’un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.
Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (“O Canto do Cossaco”), Bürger (“O Caçador Feroz”, “Leonor”), Delavigne (“O Cão do Louvre”), Lamartine (“A Costureira e o Pintassilgo Morto”) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (“A Noiva do Sepulcro”). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, “A Arrábida”). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (“A Semana Santa”, “A Cruz Mutilada”; “O Mosteiro Deserto”; “A Vitória e a Piedade”, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do “belo horrível”, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.
Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das “Cartas sobre a História de Portugal”. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o “milagre de Ourique”; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasce Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.
Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes de História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dos Opúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.
Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.
Em 24 de Março de 1838, publica n’ O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n’ A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n’ O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como “modelo e desesperação de todos os romancistas”, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.
Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num “cavaleiro negro” misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N’ O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.
Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se...
Com O Pároco de Aldeia, publicado n’ O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.
Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.
Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.
Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.
Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, “Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir?”, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, “Poesia – Imitação – Belo - Unidade”, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a “imoralidade” e a “irreligião” que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em “A Semana Santa” (1829).
Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d’un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.
Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (“O Canto do Cossaco”), Bürger (“O Caçador Feroz”, “Leonor”), Delavigne (“O Cão do Louvre”), Lamartine (“A Costureira e o Pintassilgo Morto”) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (“A Noiva do Sepulcro”). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, “A Arrábida”). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (“A Semana Santa”, “A Cruz Mutilada”; “O Mosteiro Deserto”; “A Vitória e a Piedade”, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do “belo horrível”, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.
Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das “Cartas sobre a História de Portugal”. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o “milagre de Ourique”; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasce Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.
Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes de História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dos Opúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.
Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.
Em 24 de Março de 1838, publica n’ O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n’ A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n’ O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como “modelo e desesperação de todos os romancistas”, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.
Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num “cavaleiro negro” misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N’ O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.
Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se...
Com O Pároco de Aldeia, publicado n’ O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.
Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.
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