segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Vencedores do Concurso de Escrita Natalícia



O quê? Já é natal?

Acordei,
Levantei-me e espreitei,
Parece incrível ter nevado
E eu nem ter reparado,
Mas mesmo assim continuei.
Vesti-me e desci as escadas
Que pareciam minuciosamente enfeitadas
Em tons verdes e vermelhos
Com bolas que pareciam espelhos.
Não percebi a razão
De tanta perfeição
Para um dia normal.
Contudo, não levei a mal
Dei os bons dias a toda a gente
E segui em frente o meu caminho.
Cheguei cá fora
E ninguém estava sozinho,
Até o meu solitário vizinho
Tinha visitas em casa.
Estranhei tanta mudança
E aí nasceu a minha desconfiança.
Não sou pessoa de intrigas,
E como as minhas amigas não me iam enganar
Resolvi lhes telefonar,
Mas nenhuma tinha o telemóvel ligado.
Fui então arranjar outro alguém,
Que por bem me quisesse ajudar.
Bastou apenas parar na rua,
Para que alguém me fosse valer
E se disponibilizasse a responder
À minha persistente questão.
Assim que a coloquei
Logo reparei no seu espanto.
E foi olhando-me estranhamente,
Que se afastou de mim.
Decidi depois por bem
Deixar a minha dúvida de lado,
Para não receber mais olhares do tipo.
E foi a regressar para casa
Que me deparei
Com um gigantesco e bonito
Pinheiro enfeitado,
Delicadamente adornado com uma estrela no topo.
Fiquei perplexa com tal imagem,
Que rapidamente se tornou
A principal personagem da minha reverente questão.
Mas desta vez fui mesmo para casa
Onde a minha família me esperava,
E com saudades me perguntava
Como é que eu tinha passado.
E com esta não caí para o lado
Porque reparei num resplandecente presente,
Que me aguardava junto de outro pinheiro enfeitado.
Ia para o desembrulhar
Quando toda a gente me ordenou que parasse
E me sentasse à mesa para almoçar.
Estive quase para lhes colocar a minha questão
Mas tive vergonha da reacção
E deixei-me estar.
Passado o almoço e a tarde
Notei muita ansiedade nas crianças
Que inquietamente olhavam a chaminé
Como que esperassem mais alguém para jantar.
Aí não posso negar,
Que não aguentei mais
E foi pôr-lhes a minha inseparável questão.
E foi com um ar repleto de razão
Que me responderam com prontidão
Que parasse de gozar.
Não queria acreditar
E estava disposta a perguntar
Quando de repente parei
E como por magia associei
Os acontecimentos de hoje.
Eu não estava muito longe da resposta
Quando incrivelmente gritei
“O quê? Já é Natal?”
Garanto-vos que foi risada geral,
Mas nunca ideia tal me tinha ocorrido.
E desta maneira digo
Que nunca esquecerei o sucedido
Neste natal,
Que para mim foi muito especial.
Pois pude-me aperceber
Dos valores e atitudes que acabam por acontecer
Geralmente nesta quadra
Que me guardou esta inesquecível surpresa…
Sara Pinheiro, 9ºA



NATAL, HOJE

Hoje, parei para reflectir no que é, afinal, o Natal. Parei para pensar por que é que afinal a maior parte de nós espera intensamente por esta época.
Lembro-me de contar os dias que faltavam, quase todas as semanas. Fazia-o com um sorriso tão grande, com uma magia enorme, que cobria quase toda a minha casa. Lembro-me e ainda consigo sentir o quanto feliz era quando acreditava na nostalgia do Natal, quando escrevia a carta com aquela quantidade absurda de prendas, que no fundo sabia que não poderia receber, mas ficava feliz na mesma, só a imaginar como seria este dia para todas as outras pessoas e a pensar no que elas iriam pedir. Era criança, rodeada de inocência e não imaginava o mundo frio e mentiroso que havia lá fora, não imaginava a crueldade, a falsidade e a hipocrisia que existia. E por isso sorria e desejava sempre mais e mais prendas, mais um carinho, mais um elogio de tudo que tinha feito naquele ano…
Agora imaginei, no breve instante em que fazia este pequeno gesto de sorrir, havia alguém, muito perto de mim, ao contrário do que muitas vezes penso, a deixar cair do seu pequeno rosto uma lágrima por não ter nada para comer naquele dia. Havia alguém, a chorar desconsoladamente por estar sozinho, completamentente sozinho, sem pais, sem irmãos, talvez fosse a única pessoa que tinha sobrevivido daquela família, sentindo nesse próprio dia os efeitos da guerra. Existia também alguém, em vários sítios deste enorme mundo, a gritar desesperadamente em silêncio, sentindo a solidão de uma cela e a agonia por não estar com quem mais ama. Isto tudo, no breve instante que eu sorria.
Apesar de tudo o que possamos saber e ouvir, apesar de tudo o que nos digam, nós nunca, ou dificilmente, vamos conseguir perceber a sorte enorme que temos, a felicidade que devia existir todos os dias nos nossos olhos. Dificilmente vamos perceber o que é sofrer, porque temos quase tudo nas nossas mãos. E vamos passar grande parte da nossa vida a queixar-nos do pouco que temos de lutar e enfrentar.
O Natal deve ser para nós uma tentativa de mudança, uma visão de todo o Mundo, um pensamento daquilo que somos e do que poderíamos ser. O Natal deve ser a percepção da real necessidade de ajuda, compreensão e solidariedade. Solidariedade com um mundo que existe lá fora, um mundo que também nos pertence e que tem um bocado de nós. Um mundo que precisa de uma mão nossa.
Vamos, neste Natal, desembrulhar com a maior das felicidades um enorme abraço e oferecer a alguém um simples sorriso.
Sara Matos,
9ºA

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